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20/08/2010 - QUALIDADE DOS GRÃOS ARMAZENADOS
Profª Leda Rita D'Antonino Faroni
Engº Agrícola e Ambiental Douglas Ricardo Frabetti
            Os cereais constituem a maior fonte de alimentos, tanto para os seres humanos como para os animais. Aproximadamente 90% dos grãos produzidos para o consumo provêm dos cereais, predominando o trigo, o milho e o arroz, que representam a base da alimentação de praticamente todos os povos.
            Atualmente, a busca pela qualidade dos grãos e subprodutos é prioridade para produtores, processadores e, finalmente, para os distribuidores desses produtos. Segundo Brooker et al. (1992), são muitos os fatores que contribuem para a perda de qualidade e quantidade dos alimentos e, dentre eles, destacam-se: características da espécie e da variedade, condições ambientais durante o seu desenvolvimento, época e procedimento de colheita, método de secagem e práticas de armazenagem. Para avaliar a qualidade dos grãos, Bakker-Arkema (1993) considera diversas propriedades, tais como: teor de umidade, massa específica, percentual de grãos quebrados, teor de impurezas e matéria estranha, danos causados pela temperatura de secagem, susceptibilidade à quebra, características de moagem, conteúdo de proteína e óleo, valor para consumo animal, viabilidade como semente, presença de insetos e fungos, tipo de grão e ano da produção. No entanto, as propriedades qualitativas desejáveis dependem, especificamente, das necessidades do comprador.
            O aprimoramento dos padrões de classificação e o fator de qualidade são atualmente um dos assuntos mais discutidos em todo o mundo, com base nas necessidades dos usuários finais dos grãos. Por exemplo, o Canadá e a Austrália são muito rigorosos quanto ao grau de infestação por insetos no período de armazenamento (Storey, 1988). Na classificação norte-americana, o número de insetos não afeta diretamente a comercialização, mas se dois ou mais insetos primários forem encontrados em um quilograma de grãos, a designação "infestado" aparece no laudo, podendo ser retirada depois de uma fumigação (Hagstrum e Flinn, 1992). Já os processadores de grãos norte-americanos impõem como principal limite na comercialização de grãos a presença de insetos. Além dos insetos, fungos e micotoxinas, resíduos de pesticidas e índice de trincas são, em geral,  atributos para as indústrias de alimentos. No Brasil, algumas indústrias admitem até 3% de grãos carunchados ou com insetos; outras, no entanto, exigem a classificação "isento" como padrão de qualidade.
            Verifica-se, portanto, a importância que as pragas de armazenamento passaram a ter na avaliação da qualidade dos grãos.
 

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