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20/08/2010 - Plantio direto pode reduzir até 20 milhões de toneladas de CO2 em uma década

Plantio direto pode reduzir até 20 milhões de toneladas de CO2 em uma década
Há 38 anos, o produtor rural Herbert Arnold Bartz começou o plantio direto, experiência inédita no Brasil que, atualmente, é uma das bases da agricultura sustentável no Brasil. “Essa foi a maior revolução agrícola do final do milênio, porque retira o gás carbônico da atmosfera e o retém no solo, transformando-o em matéria orgânica”, explica. A técnica dispensa o revolvimento da terra com o uso de grades e arados e trabalha com rotações de culturas, aumentando a matéria orgânica. A semeadura é feita na palha da cultura anterior, o que impede a queima da área. Sem a massa vegetal queimada, o dióxido de carbono (CO2) não é liberado.

O plantio direto é uma das ações diretas estimuladas pelo governo federal no programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado em junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Wagner Rossi, no Plano Agropecuário que financia a safra brasileira 2010/2011. O programa destina R$ 2 bilhões para as práticas agronômicas que permitem compatibilizar aumento da produção e proteção ao meio ambiente.

Com o plantio direto, estima-se a ampliação da área atual em 8 milhões de hectares, passando de 25 milhões para 33 milhões de hectares, nos próximos 10 anos. Esse acréscimo vai permitir a redução da emissão de 16 a 20 milhões de toneladas de CO2 equivalentes.

Além de promover o sequestro de dióxido de carbono da atmosfera, o plantio direto é exemplo de agricultura conservacionista, com preservação da qualidade dos recursos naturais, como água e solo. “Preservamos o solo e conseguimos fazer com que praticamente não se fale mais em erosão. A água que sai das lavouras para os rios é limpa, sem lama”, enfatiza. O local de plantio também é beneficiado com maior número de nutrientes.

Para José Eloir Denardin, pesquisador da Embrapa Trigo que atua na área de manejo e conservação do solo e da água, a organização do produtor é primordial para o sucesso do sistema. “Sem um sistema agrícola produtivo planejado e direcionado, nem um modelo devidamente quantificado econômica, social e ambientalmente, a atividade não vai funcionar”, alerta.

Denardin recomenda também a diversificação das espécies para ativar a fertilidade do solo com material orgânico adequado. “É preciso trabalhar com rotação de culturas que produzam quantidade, qualidade e frequência no aporte de matéria orgânica”, explica. De acordo com a Federação Brasileira de Plantio Direto na Palha (FEBRAPDP), as principais culturas de verão são soja, milho e feijão. E, as de inverno, trigo, aveia e cevada. 

Eline Santos,
Mapa



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